Editorial

Livrinho fascinante aquele de sir Robert Ball. Paralaxe. Eu nunca entendi direito, Olha lá um padre. Podia perguntar pra ele. Par é grego: paralelo, paralaxe.

(…) Ela tem razão no fim das contas. Só palavras grandes pra umas coisas comuns por conta do som.”

– James Joyce

Paralaxe. É grego: paralaxis é a forma adverbial de parallássein, do prefixo par- (ao lado, ao longo de) com allássein (mudar). É, então, só uma palavra grande, por conta do som, para uma coisa comum: a mudança na perspectiva em relação ao observador.

Geralmente é empregado em contextos de geometria e de astronomia, o livrinho que tanto inquieta o irlandês é, afinal, “the story of the heaven”, um livro de astronomia de 1886 que demonstra o conceito com um simples experimento de colocar um pedaço de papel em uma janela e olhar para ele com um olho de cada vez, assim o observador terá a impressão que o papel muda de posição em relação à paisagem ao fundo.

Para entender essa palavra grande demais deve-se, nada mais, olhar o mesmo objeto por duas perspectivas diferentes.

Quando temos mais de um observador, portanto, a soma de suas visões pode ser representada como uma paralaxe.

Há nessa miríade de perspectivas de muitos que olham para o mesmo ponto uma força verdadeiramente coletiva, o balanço de suas sobreposições que faz com que cada palavra individual também seja parte de um todo.

É esse balanço que chamamos de Paralaxe.